Perspectivas
O dia 31 da automação: por que a rotina que ficou pronta não fica pronta
A rotina foi entregue, testada, e rodou. Passou a primeira semana, passou o primeiro mês. Aí, numa terça-feira qualquer, ela para — e não porque foi mal construída: o sistema do outro lado mudou alguma coisa e não avisou ninguém.
Automação não é artefato que fica pronto. É peça viva pendurada em sistemas de terceiros: credencial expira, API versiona, layout muda, volume cresce. Nada disso é defeito de quem construiu, e tudo isso para a rotina. A garantia de construção cobre o erro de quem fez; ela não cobre o mundo se mexendo em volta.
É o dia 31, e ele tem dois desfechos, ambos ruins: consertar de graça, prejuízo silencioso que se repete e cresce, ou cobrar por algo que o cliente acredita ter comprado, o que rende a fama de que a automação não durou. A conta que importa nunca foi a de construir. Automação sem manutenção não é economia: é dívida com data-base incerta.
Por isso a manutenção é serviço separado, mensal, e com preço formado por fragilidade em vez de contagem: rotina de integração vale 1 ponto; rotina que depende de navegador vale 3, porque quebra sem aviso quando a tela do fornecedor muda. A partir de R$ 2.500/mês, que cobre até 6 pontos de fragilidade e 10 horas de trabalho inclusas; ponto adicional R$ 300/mês; hora excedente R$ 250, aprovada por escrito antes de rodar. Licença de plataforma de terceiro não está embutida: é repasse identificado. Mensal, sem fidelidade. Relatório mensal do que rodou e do que falhou, e alerta que chega em alguém que age.
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