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GBarsotti
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Cláusula quarta · a mais importante do documento

Quando não contratar.

Um contrato que só descreve o que se compromete a fazer está escondendo metade da informação — e a metade escondida é sempre a que gera a briga. Aqui está a metade escondida, antes da primeira conversa.

Cláusula quarta

As oito hipóteses

Esta cláusula tem o mesmo peso das outras de propósito. Se você se reconhecer em qualquer item abaixo, não me contrate. Eu digo o mesmo na primeira conversa, de graça — e a conversa continua sendo gratuita mesmo quando termina em “não”.

  1. 4.1 Se o que você precisa é parecer jurídico

    Eu não emito parecer jurídico — nem no inventário de IA, nem no screening, nem em lugar nenhum. Classificação legal, relatório de impacto e adequação formal são trabalho de advocacia, cotado à parte. Eu produzo o fato: onde a IA já é usada, por quem, com que dado e sob qual contrato. O advogado produz a tese — e quanto mais limpo chega o fato, mais barato sai o parecer.

  2. 4.2 Se o problema é papel, não é IA

    Digitalização de acervo, OCR de arquivo morto e limpeza de base estão fora do escopo da implantação. É trabalho legítimo, feito melhor e mais barato por quem faz só isso. Eu trabalho sobre arquivos digitais já organizados; se metade do acervo ainda está na estante, contratar IA antes é pagar caro para adiar a parte difícil.

  3. 4.3 Se o volume é baixo e não há sigilo em jogo

    Para uso pequeno, sem restrição contratual ou profissional de sigilo, uma assinatura comum de mercado resolve por muito menos. Eu digo isso na primeira conversa, antes de você pedir proposta. Implantação existe para quem tem uma exigência que a assinatura de prateleira não atende — sigilo, isolamento, controle de acesso. Sem essa exigência, é infraestrutura sem motivo, e infraestrutura sem motivo é custo recorrente que ninguém defende no ano seguinte.

  4. 4.4 Se você quer a plataforma gerenciada rodando dentro de casa

    Ela não vai. É regra de arquitetura, não margem de negociação: uma versão por cliente destrói o produto para todos os outros. Quem precisa do código dentro de casa contrata a implantação em infraestrutura própria — que entrega menos controle de acesso e custa mais. As duas coisas existem no catálogo, e a escolha entre elas é anterior ao preço.

  5. 4.5 Se você precisa de hierarquia fina dentro da sua rede

    A implantação na sua infraestrutura respeita os grupos de acesso que a sua rede já tem — e nada mais fino que isso. Separação por pessoa, por cliente ou por matéria existe só na plataforma gerenciada. Prometer o contrário seria vender um incidente com interface bonita, e o incidente aparece justamente no dia em que o documento errado alcança a pessoa errada.

  6. 4.6 Se você quer garantia de resultado

    Não vendo. Garanto entregável na data e devolvo metade do preço se falhar. Faturamento, adoção e conversão dependem do seu time, do dado que ele alimenta e de decisões que não são minhas — quem promete isso por contrato está apostando com o seu dinheiro. A garantia aqui é de prazo e entregável, e é escrita assim porque é a única que eu consigo honrar sozinho.

  7. 4.7 Se o escopo ainda muda toda semana

    Escopo instável suspende prazo, e prazo suspenso desliga a garantia. Nesse estado você paga por uma proteção que não pode ser acionada — o pior dos dois mundos. Feche o escopo primeiro, inclusive comigo, de graça, numa conversa. Se ao fim dela o escopo continuar aberto, a resposta certa é esperar, não assinar.

  8. 4.8 Se você precisa de case com nome, número e depoimento

    Não tenho para mostrar: os trabalhos são confidenciais e ficam anonimizados. O que eu ofereço no lugar é prazo em contrato, garantia escrita e uma cláusula que me custa dinheiro se eu falhar. É uma troca desigual de propósito — a prova fica do meu lado, não do lado do cliente que topou aparecer. Se isso não bastar, é justo que não baste.

O que estas oito hipóteses têm em comum: nenhuma delas é sobre orçamento. São situações em que a entrega existiria, seria cobrada e ainda assim não resolveria o seu problema — ou resolveria por um preço que não se justifica. Recusar aqui é mais barato do que descobrir na metade da execução, quando já existe fatura, expectativa e uma reunião difícil marcada.

Dizer não cedo é a parte mais barata do trabalho — para nós dois.

Começar

Se você leu as oito e nenhuma é o seu caso, a conversa provavelmente vale.

Escreva o seu caso em uma frase, do jeito que ele aparece na sua semana. A resposta traz uma de três coisas: qual dos doze serviços ataca aquilo, a data em que consigo começar, ou o motivo pelo qual você não deveria contratar isso agora. A primeira conversa dura trinta minutos e não é cobrada.